Fazer um empréstimo na conta de luz significa ter na mesma...
Você já pensou em trabalhar com entregas pelo iFood, pelo Rappi ou pela 99. Talvez alguém tenha dito que dá bom dinheiro. Talvez outra pessoa tenha dito que não vale a pena. As duas conversas quase sempre acontecem sem nenhum número na mesa. Então fui buscar os dados oficiais e fazer a conta com você — inclusive a parte que ninguém mostra, que é o quanto sobra no fim do mês.
Quem trabalha com entregas por aplicativo no Brasil recebe, em média, R$ 2.340 por mês, trabalhando 46,4 horas por semana (IBGE, dado mais recente). Isso dá cerca de R$ 11,60 por hora. Só que esse valor é bruto: o combustível, o óleo e o pneu saem do seu bolso. Quem roda 100 km por dia gasta perto de R$ 569 por mês só de gasolina — e a conta cai para algo em torno de R$ 1.771. É mais que o salário mínimo de R$ 1.621, mas sem FGTS, sem 13º e sem férias. Este guia mostra a conta inteira, o que a lei mudou em 2026 e como decidir com calma.

São 485 mil pessoas trabalhando por aplicativos de entrega no Brasil. Elas fazem parte de um grupo maior: 1,7 milhão de brasileiros que trabalham por aplicativo, contando também transporte de passageiros e serviços. Esse grupo cresceu 25,4% em dois anos — são 335 mil pessoas novas.
E quem faz entrega é gente parecida com você. Entre os entregadores, apenas 3,5% têm faculdade completa. A maioria estudou até o ensino médio, e quase 3 em cada 10 não terminaram o ensino médio. Ou seja: é uma porta que abre para quem estudou pouco, e é por isso que ela atrai tanta gente.
Entre os entregadores de aplicativo, só 3,5% têm faculdade completa. Nas outras profissões que usam aplicativo, esse número é 27,7%.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua — módulo Trabalho por meio de plataformas digitais 2024, divulgado em outubro de 2025
Outro dado ajuda a entender o tamanho disso: de cada 3 pessoas que trabalham conduzindo moto no Brasil, 1 já trabalha por aplicativo. Em 2022 era 1 em cada 4. A entrega por app virou um dos maiores empregadores informais do país.
A média oficial é de R$ 2.340 por mês, com jornada de 46,4 horas por semana. Esse é o número do IBGE, e é o mais confiável que existe hoje — porque não vem de anúncio de aplicativo nem de vídeo no YouTube.
📊 Quanto entra por mês, comparando
Rendimento médio mensal dos trabalhadores de aplicativo: IBGE, PNAD Contínua, módulo de plataformas digitais 2024 (referência: 3º trimestre de 2024). Salário mínimo: Decreto 12.797/2025. Barras proporcionais ao maior valor.
Repare numa coisa importante: quem faz entrega e quem faz os outros serviços por aplicativo trabalham praticamente as mesmas horas — 46,4 contra 46,5 por semana. Mas um recebe quase o dobro do outro. A diferença não está no esforço. Está no tipo de serviço.
💡 Esse número é de 2024. Ainda vale? É a medição oficial mais recente que existe: o IBGE divulgou em outubro de 2025 e a referência é o fim de 2024. De lá até junho de 2026, os preços subiram 9,36% (IPCA, o índice oficial de inflação medido pelo IBGE). Corrigindo por isso, os R$ 2.340 equivalem a cerca de R$ 2.559 em dinheiro de hoje. Use esse número como ordem de grandeza, não como promessa: quanto você vai ganhar depende da cidade, do horário e de quantas horas você aguenta.
Aqui está o erro que faz muita gente se decepcionar no segundo mês: o que o aplicativo paga não é o que você ganha. Em carteira assinada, o salário cai limpo na conta. Na entrega, você é dono do seu meio de transporte — e paga por ele.
Vamos fazer a conta com o preço real da gasolina hoje: R$ 6,56 por litro, média nacional medida pela ANP na semana de 26 de julho a 1º de agosto de 2026. Suponha que você rode 100 km por dia, numa moto que faz 30 km por litro, 26 dias no mês:
📊 A conta do mês de quem roda 100 km por dia
Exemplo ilustrativo, feito por nós: 100 km por dia ÷ 30 km por litro × R$ 6,56 × 26 dias = R$ 569 de gasolina no mês. Preço da gasolina: ANP, síntese semanal de 26/07 a 01/08/2026. Rendimento: IBGE. Barras proporcionais ao maior valor.
Então o retrato é este: os R$ 2.340 parecem 1,4 salário mínimo. Depois de pagar só a gasolina, viram 1,09 salário mínimo. E ainda falta descontar óleo, pneu, relação, freio, revisão — e o desgaste da moto, que um dia vai cobrar a conta.
📋 A conta em dinheiro por hora: 46,4 horas por semana dão cerca de 202 horas no mês. Os R$ 2.340 viram R$ 11,60 a hora. Depois da gasolina, R$ 8,79 a hora. A hora do salário mínimo em 2026 é R$ 7,37 — e vem com FGTS, 13º e férias por cima. Faça essa conta com os seus números antes de decidir: quantos km você roda, quanto sua moto faz por litro, quantos dias você aguenta rodar.
Veja como funciona o empréstimo para autônomo
Se você pesquisou isso antes de 2026, o que você leu provavelmente está errado. Em maio de 2026 as regras ficaram mais fáceis. Uma medida provisória do governo derrubou três exigências que travavam muita gente na porta.
| Exigência | Antes | Agora (desde maio de 2026) |
|---|---|---|
| Idade mínima | 21 anos | Não existe mais essa exigência |
| Tempo de habilitação | Pelo menos 2 anos de CNH | Não existe mais essa exigência |
| Curso | Curso especializado obrigatório | Não é mais exigido |
| Habilitação | CNH categoria A | CNH categoria A ou Autorização para Conduzir Ciclomotores |
| Autorização do Detran e registro da moto como aluguel | Obrigatórios | Não são mais exigidos |
| Vistoria dos equipamentos | A cada seis meses | Não é mais exigida |
| Equipamentos na moto | Continuam obrigatórios: antena corta-pipas, protetor de motor e pernas (o “mata-cachorro”) e colete com faixas refletivas | |
Medida Provisória 1.360, de 19 de maio de 2026, que alterou a Lei 12.009/2009 e o Código de Trânsito Brasileiro. Regras para entrega de mercadorias com moto; para bicicleta não é exigida habilitação.
⚠️ Atenção, e isso é importante: essas regras novas valem hoje, mas vieram por medida provisória. Isso quer dizer que o Congresso precisa transformá-la em lei em até 120 dias. Se não transformar, as exigências antigas voltam a valer. Em agosto de 2026 ela ainda está em análise. Antes de investir na moto, confirme como está a regra na data em que você for começar — e confirme também as regras da sua cidade, que podem pedir mais coisas.
Fora a parte da lei, o que os aplicativos pedem no cadastro é simples: CPF, documento com foto, conta bancária no seu nome, celular com internet e a bag (aquela mochila térmica quadrada). Para bicicleta, não precisa de habilitação — é o caminho mais barato para testar se o trabalho serve para você.
Se você já decidiu por qual aplicativo começar, temos o passo a passo do cadastro em dois guias separados: como ser entregador do iFood e como se cadastrar como entregador do Rappi.

Essa é a parte que decide se a entrega serve para o seu momento de vida. Para a lei brasileira, o entregador de aplicativo é trabalhador autônomo — não é empregado do aplicativo. Isso muda tudo.
Como autônomo, você não tem FGTS, 13º salário, férias com um terço a mais nem seguro-desemprego. Não é maldade do aplicativo: esses quatro direitos existem por lei apenas para quem tem vínculo de emprego, com carteira assinada. Sem vínculo, não há como acessá-los.
📋 O que você troca, na prática. Você perde: FGTS, 13º, férias com um terço a mais, seguro-desemprego e salário garantido no mês fraco. Você ganha: escolher o horário, escolher a região, trabalhar para vários aplicativos ao mesmo tempo e começar rápido — sem entrevista, sem indicação e sem exigência de experiência.
⚠️ Cuidado com o que dizem sobre o seguro de acidente. Muitos textos na internet afirmam que o aplicativo é obrigado por lei a te dar seguro. Isso não está certo hoje. A Lei 14.297, de 2022, criou essa obrigação — mas o próprio texto dela diz que valia só enquanto durasse a emergência de saúde da covid, que foi encerrada em 2022. Hoje, se existe seguro, é porque o aplicativo decidiu oferecer, e não porque a lei manda. Confirme no seu aplicativo o que exatamente está coberto antes de contar com isso. E, se for trabalhar de moto, considere um seguro por conta própria.
A aposentadoria é o ponto mais esquecido. Se você não pagar o INSS, você não se aposenta e não tem auxílio-doença. E olha o tamanho do problema: só 35,9% de quem trabalha por aplicativo contribui para a Previdência. Entre quem tem carteira assinada, são 61,9%.
O jeito mais barato de resolver isso é virar MEI: custa R$ 86,05 por mês em 2026 e garante aposentadoria de um salário mínimo, auxílio-doença e salário-maternidade. Sem o MEI, você pode pagar como autônomo: 11% sobre o salário mínimo ou 20% sobre o quanto declarar.
💡 O CNPJ do MEI ajuda em outra coisa também: comprovar renda. Quem trabalha por aplicativo sabe a dificuldade de provar quanto ganha quando precisa alugar uma casa ou pedir crédito. Com CNPJ, você emite nota e tem histórico. Na SuperSim, aliás, não exigimos contracheque nem carteira assinada — a análise olha sua movimentação recente, justamente porque a maior parte de quem atendemos tem renda informal.
Não existe resposta única. Existe a resposta certa para o seu momento. Veja o que muda de verdade em cada caminho:
| Entrega por aplicativo | Carteira assinada portaria, loja, faxina, ajudante |
|
|---|---|---|
| Quanto entra por mês | R$ 2.340 na média — mas o combustível sai daí | Salário combinado, líquido na conta |
| Depois dos custos | Cerca de R$ 1.771 no exemplo de 100 km/dia | Não tem esse desconto |
| Se você ficar doente | Não entra dinheiro. Só tem INSS se você pagar | Salário garantido e INSS descontado na folha |
| FGTS | Não tem | Sim — a empresa deposita 8% por mês |
| 13º e férias + 1/3 | Não tem | Sim, garantidos por lei |
| Se for demitido / parar | Sem seguro-desemprego | Seguro-desemprego e rescisão |
| Quem manda no horário | Você | A empresa |
| Para começar precisa de | CPF, celular, bag e o veículo. Dá para começar esta semana | Vaga aberta e ser escolhido |
| Comprovar renda depois | Difícil sem CNPJ ou extrato organizado | Fácil — contracheque e carteira |
| O maior risco | Acidente e mês fraco, sem rede de proteção | Ser demitido |
Rendimento da entrega: IBGE, PNAD Contínua, módulo de plataformas digitais 2024. FGTS: Lei 8.036/1990. 13º: Lei 4.090/1962. Férias mais um terço: Constituição, art. 7º, XVII. Seguro-desemprego: Lei 7.998/1990. Entregador como contribuinte individual: Lei 8.212/1991. Sempre confirme sua situação no INSS antes de contar com qualquer benefício.
Resumindo em uma frase: a entrega paga mais rápido e a carteira protege melhor. Se você precisa de dinheiro esta semana, a entrega ganha. Se você precisa de segurança para sustentar filho, aluguel e remédio, a carteira ganha.
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Quem já está na rua há um tempo cita quase sempre os mesmos quatro problemas. Vale saber antes, não depois.
1. A jornada é longa. O entregador trabalha 46,4 horas por semana, na média. Quem trabalha por aplicativo em geral faz 44,8 horas, contra 39,3 horas de quem não trabalha por app. Ou seja: em qualquer corte, é mais tempo de trabalho. Não é bico de meio período para quem quer viver disso.
7 em cada 10 pessoas que trabalham por aplicativo estão na informalidade. E só 1 em cada 3 paga INSS.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua — módulo Trabalho por meio de plataformas digitais 2024 (71,1% na informalidade; 35,9% contribuindo para a Previdência)
2. A hora vale menos do que parece. No conjunto de quem trabalha por aplicativo, a hora rende R$ 15,40 contra R$ 16,80 de quem não trabalha por app. Ou seja: trabalha-se mais horas para chegar a um total parecido.
📊 Trabalha-se mais para receber quase o mesmo
Média de todos os trabalhadores de aplicativo (não só entregadores). Fonte: IBGE, PNAD Contínua, módulo de plataformas digitais 2024. Barras proporcionais ao maior valor de cada par (horas e valor da hora são medidas diferentes).
3. O risco físico é real — e agora tem menos exigência de preparo. A mesma medida provisória de 2026 que facilitou a entrada acabou com a obrigação do curso especializado, que existia justamente para preparar quem trabalha de moto. Facilitou começar. Não facilitou chegar em casa inteiro. Capacete bom, colete e manutenção em dia deixam de ser detalhe.
4. Não existe piso. Chuva, feriado sem movimento, conta bloqueada, moto na oficina: em qualquer um desses casos, o dinheiro do dia é zero. Por isso a reserva não é luxo — é o que faz esse trabalho ser sustentável.
O caminho de menor risco não é dizer sim ou não hoje. É testar barato antes de apostar.
⚠️ Sobre pegar dinheiro emprestado para começar: empréstimo para comprar veículo antes do primeiro teste é o caminho mais rápido para a dívida — porque você assume parcela fixa contra uma renda que ainda não conhece. Crédito faz sentido depois, quando você já sabe quanto rende e falta uma peça, um reparo ou a bag. Regra que vale sempre: a parcela precisa caber no seu mês ruim, não no seu mês bom. Compare pelo CET, que é o custo total com juros e taxas juntos, e confira se a empresa é autorizada pelo Banco Central. E nunca pague nada adiantado para alguém “liberar” um empréstimo: isso é golpe.
Pelo IBGE, a média é de R$ 2.340 por mês, trabalhando 46,4 horas por semana. Isso dá cerca de R$ 11,60 por hora, e é o valor bruto: o combustível e a manutenção da moto ainda saem daí. O dado é do 3º trimestre de 2024, a medição oficial mais recente.
A média oficial dos entregadores de aplicativo é R$ 2.340 por mês. Corrigido pela inflação até junho de 2026, isso equivale a cerca de R$ 2.559. Mas esse valor é antes dos custos: quem roda 100 km por dia gasta perto de R$ 569 por mês só de gasolina.
CNH categoria A ou Autorização para Conduzir Ciclomotores, colete com faixas refletivas, antena corta-pipas e protetor de motor na moto. Desde maio de 2026 não é mais exigido ter 21 anos, dois anos de habilitação nem curso especializado. Mas essa mudança veio por medida provisória e ainda depende de votação.
Não. Esses três direitos existem para quem tem vínculo de emprego, e o entregador de aplicativo é considerado autônomo pela lei. Também não tem seguro-desemprego. Em troca, escolhe o horário e não tem patrão mandando.
Hoje, não por essa lei. A Lei 14.297/2022 obrigava o seguro, mas o próprio texto valia só enquanto durasse a emergência de saúde da covid, encerrada em 2022. Alguns apps mantêm seguro por conta própria. Confirme no seu aplicativo antes de contar com isso.
Precisa pagar o INSS por conta própria. Como MEI, custa R$ 86,05 por mês em 2026 e garante aposentadoria de um salário mínimo. Só 35,9% de quem trabalha por aplicativo contribui hoje — quem não paga fica sem aposentadoria e sem auxílio-doença.
Em dinheiro na mão, a entrega começa na frente: R$ 2.340 contra R$ 1.621 do salário mínimo. Depois do combustível, cai para perto de R$ 1.771. E a carteira ainda traz FGTS, 13º e férias por cima. A entrega ganha em liberdade de horário e em entrar rápido.
Os aplicativos não exigem CNPJ para você se cadastrar. O MEI serve para outra coisa: pagar INSS mais barato, emitir nota fiscal e ter CNPJ, o que ajuda a comprovar renda depois. Custa R$ 86,05 por mês em 2026.
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Este conteúdo é informativo e não substitui a análise da sua situação financeira nem orientação jurídica ou previdenciária. Regras de trânsito, tributárias e previdenciárias mudam — confirme sempre nas fontes oficiais citadas antes de decidir. A contratação de empréstimo está sujeita à análise de crédito. Consulte as condições vigentes (taxas, CET e prazos) no rodapé de supersim.com.br. Atualizado em 04/08/2026 — por Caio Japiassú.